Uma história incrível

por Nélide Casaccia Bertoluci (2010)

“Em 11 de maio de 1951, meu pai – Antônio Casaccia – estava à frente de uma reunião para apresentar o plano de nova empresa para um grupo de homens de negócio. Na reunião estavam presentes investidores e empresários, entre eles A.J. Renner, Danilo Santa Catharina, Abramo Eberle, Pietro Zoratto, Joaquim Só Gonçalves, Léo Haesbaert, Alcides de Oliveira Gomes, Dante D’Angelo, João Rentzsch, Leonardo Bopp e tantos outros nomes que se entusiasmaram com o inovador projeto do Balneário Atlântida (inspirado em praias uruguaias, à época modernas e urbanizadas).

Neste dia foi fundada a empresa Atlântida S.A. Balneários, uma empresa de ações ordinárias nominativas com capital fechado. A venda de ações estava indo muito bem e com este recurso foram compradas as terras para a implantação do projeto, justamente ao sul de Capão da Canoa.

A venda dos terrenos foi um sucesso maior do que o esperado. Em menos de dois meses foram vendidas mais de 250 unidades. O mais incrível desta história foram as coincidências. O responsável pelo projeto urbanístico foi Luiz Arthur Ubatuba de Faria, engenheiro e urbanista que já conhecia a região porque havia feito outro projeto para esta área, datando de 1939 e que, casualmente, tinha o mesmo nome: Atlântida. Antônio Casaccia quando pensou no nome Atlântida, tinha em mente o Balneário homônimo no Uruguai que tanto lhe agradava pela organização, conforto e belos jardins.

"Foi fundada com uma nova proposta de urbanização, diferente do que havia até então, não só no litoral do Estado, mas no litoral do Brasil."

Quando procurou o mais renomado urbanista do Rio Grande do Sul para fazer o plano do novo Balneário, não tinha conhecimento do trabalho de 1939. O Balneário Atlântida foi um empreendimento inovador em vários aspectos. Os lotes foram projetados com 50% a mais de área, se comparados com os outros loteamentos. As áreas verdes também tiveram proporções muito maiores que as medidas exigidas por lei (30% a mais), o que reforçava a ideia de amplitude e liberdade. Atlântida foi desde o início um empreendimento que priorizou a natureza.

Já havia uma preocupação desse projeto em construir um balneário que respeitasse o meio ambiente em que estava inserido. Foi fundada com uma nova proposta de urbanização, diferente do que havia até então, não só no litoral do Estado, mas no litoral do Brasil. Os terrenos eram separados uns dos outros por cercas vivas de no máximo 40 centímetros de altura, já que se pensava em paisagismo.

Início das Obras

As obras iniciaram naquele mesmo ano, com a abertura da Avenida Central, a construção da estação de tratamento de água, da usina geradora de energia elétrica e principalmente do Hotel Atlântida, que seria a âncora do empreendimento. A precariedade das condições da época para a realização dessas obras é inimaginável hoje, pois não havia comércio de material de construção, nem mesmo telefonia e as estradas, quando existiam, eram de difícil trânsito.

Todos os detalhes eram fiscalizados pela empresa, prenunciando o primeiro Plano Diretor do litoral. No que se refere à pavimentação das ruas, foram utilizadas pedras de basalto da região. Esse tipo de pavimento ajuda a absorver as águas da chuva. As ruas e os terrenos foram demarcados pelo topógrafo Lúcio Moreira da Silva.

Venda dos Terrenos

Já em Dezembro de 1952 o hotel e as ruas que o circundavam recebiam iluminação pública com energia produzida pela usina do balneário, supervisionada por Osvaldo dos Anjos. Os terrenos foram rapidamente adquiridos por famílias gaúchas, entre elas as famílias Ungaretti, Eberle, Minghelli, Triches, Sanvicente, Esteves, Saint Pastous, Menezes, Tombini, Pegoraro, Santana Horn, Seadi, Juckoswski, Mancuso, Buchabqui, Ballista, Ciulla, Zanenga, Abujamra, Lança e outras mais que foram as pioneiras. Em torno da praça estava prevista a construção de prédios de três andares e o local onde poderia se instalar o comércio.

Ainda não existia o tratamento de esgoto cloacal. Foi construída uma moderna caixa d’água, localizada no meio das dunas, linda, parecendo uma nave espacial. Sua arquitetura chamava a atenção de todos e visitá-la era uns dos passeios obrigatórios da temporada. O fornecimento de água também era de responsabilidade da Atlântida S.A. Balneários que possuía, além de uma hidráulica completa com floculador e decantadores, um laboratório para controle da qualidade da água. A captação era feita na Lagoa dos Quadros.

Inovação e Modernidade

A partir do plano inovador de Ubatuba de Faria, que apresentava amplas avenidas, grandes áreas verdes, terrenos com dimensões acima da média, outros profissionais se inspiraram e criaram belos projetos. Assim foram surgindo, no princípio timidamente, mas depois com desenvoltura, novas obras residenciais, nunca vistas em outras praias do sul. Os proprietários queriam sempre mais, sempre o mais moderno, o mais bonito, o inédito, e por este motivo Atlântida tem hoje as mais belas residências da orla. A cada verão, turistas curiosos chegam a Atlântida para ver e fotografar as novas construções, as novas obras arquitetônicas.

Referência 

Na década de 60, o empresário Aron Birman construiu uma linda residência, a primeira sobre três amplos terrenos. A casa situa-se no centro de um grande jardim. Foi um marco, uma nova era do balneário. A partir desse momento as casas da praia tornaram-se uma referência de conforto e bem estar e de status. Logo após a implantação da infraestrutura, iniciou-se a obra do primeiro edifício, o Albatroz, seguido dos edifícios Stella Maris, Marise, Pérola, Fragata, Esmeralda, Cannes, Netuno, Capri, Atlântida e outros tantos.

Foram erguidos em terrenos pré-determinados pelo projeto urbanístico, dentro dos padrões estabelecidos, respeitando os limites de altura, as taxas de ocupação e os recuos. Tudo era supervisionado pela empresa comandada por Antônio Casaccia que seguia com respeito e admiração o trabalho de Ubatuba de Faria. Isso inspirou a criação do primeiro Plano Diretor das nossas praias. O Balneário de Atlântida nasceu com a visão do futuro, pelos olhos de Antônio Casaccia. Todos os princípios agregados no Plano Diretor visavam a convivência de tantas pessoas, da integração com a natureza e principalmente do uso generoso e interativo do solo. Grandes parques, ruas largas, avenidas receptivas, prédios baixos e o natural desenvolver dos condomínios, produziram esta cidade mágica, cordial, segura e resolvida.

" ROSSI ATLÂNTIDA é o passo à frente, o novo futuro que se abre, tão colorido e iluminado

quanto o pôr do sol da Borússia que emoldura

o condomínio do amanhã."

Os mesmos princípios de grandes espaços que sempre privilegiaram Atlântida aliam-se aos futurísticos conceitos de sustentabilidade energética. O ROSSI ATLÂNTIDA foi o primeiro empreendimento imobiliário do sul do Brasil a receber o selo PROCEL, por atender princípios de conservação, de fontes alternativas de energia e racionalidade.

Destaca-se o uso de aquecimento solar na área da piscina térmica, varandas em todas as unidades, diminuindo a incidência solar nas áreas de living, paisagismo com plantio preponderantemente de espécies nativas, tendo menor necessidade de irrigação, menos energia, além de provimento de alimento e refúgio para fauna, muros condominiais vazados permitindo a passagem do vento, entre outros conceitos de inteligência e desenvolvimento sustentável.

Todo o projeto, tanto o paisagístico do urbanista Benedito Abbud, quanto o arquitetônico do arquiteto Pedro Gabriel Simch de Castro tem o propósito de, além de harmonizar beleza e funcionalidade, serem extremamente racionais no uso e função do solo, assim como na utilização de energia. Tudo isso com a vista para um lago que envolve todas as casas, transformando o local num mar de paz e tranquilidade.

Rua Guatambú nº 1001, Bairro Atlântida

CEP 95588-000, Xangri-Lá/RS